Catedral Metropolitana de São Sebastião
Espiritualidade
A Eucaristia e outras formas de vivência da fé
1. O Domingo é o núcleo de todo o ano litúrgico; porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, que são o centro de toda a história e a fonte da qual emana toda graça salvadora. Assim foi entendido e celebrado pelos Apóstolos e pelas primeiras comunidades cristãs.
2. Desde as origens, a Eucaristia é o centro do Domingo. Assim o expressavam os mártires de Abitinia, que, surpreendidos na celebração eucarística em um Domingo, ao serem interrogados por que tinham transgredido a severa ordem do imperador, responderam: "Sine dominico non possumus", isto é, sem reunir-nos em assembléia o Domingo para celebrar a Eucaristia não podemos viver. Faltar-nos-iam as forças para não sucumbir às dificuldades diárias.
3. No entanto, o Domingo não se reduz à celebração da Eucaristia, mas se prolonga em outras celebrações e vivências; p. e: celebração na família, a preocupação e atendimento aos pobres, o descanso, etc.
4. Por isso, é preciso insistir e dar um realce especial à Eucaristia dominical e ao Domingo em si, como dia especial da fé, dia do Senhor Ressuscitado e do Dom do Espírito. A participação na Eucaristia deve ser para cada batizado o centro do Domingo. É um dever irrenunciável, viver não só para cumprir um preceito, mas obedecer a uma necessidade intrínseca da vida cristã verdadeiramente consciente e coerente. O dever da participação eucarística, cada Domingo, é um aspecto específico da própria identidade da comunidade cristã, mesmo vivendo em circunstâncias de pequenas minorias e em condições de isolamento e dificuldade.
5. A Eucaristia dominical congrega semanalmente os cristãos como família de Deus em torno da mesa da Palavra e do Pão da Vida. Assim ela é também o antídoto mais eficaz contra a dispersão, por ser o lugar privilegiado onde se cultiva e se vivencia continuamente a comunhão.
6. Por tudo isso, a Eucaristia dominical tem que ser o centro da piedade dos pais e da família como tal. Vendo os pais irem à Missa e participando com eles, os filhos amarão a Eucaristia como fonte da vida e alimento principal de sua piedade. A participação como família na Eucaristia dominical é um ideal que nos devemos propor; assim se confessa a absoluta superioridade deste sacramento sobre as demais atividades nobres e dignas do Domingo.
7. A Eucaristia, participada devidamente, especialmente pela recepção da Sagrada Comunhão, exige a vivência da caridade cristã. Por isso, os pais devem ser exemplo vivo para os filhos na preocupação pelos pobres e os necessitados.
8. Para receber dignamente o sacramento da Eucaristia, será preciso recorrer, sempre que exista consciência de pecado mortal, ao sacramento da reconciliação, já que, como diz São Paulo, "quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor" (1 Cor 11,27).
O direito de Nascer
O direito de NascerNa hora em que o Brasil é chamado a consolidar as bases da cidadania e confirmar os valores de sua soberania, desejamos oferecer colaboração e diálogo com os parlamentares, responsáveis pela elaboração das leis que orientam o nosso povo, em busca de uma sociedade justa e solidária.
Nós, Bispos, sentimos o grave dever de expressar, com todos os homens e mulheres de boa vontade, o compromisso com a vida, dom de Deus, hoje tão agredida de tantas maneiras, e manifestar o pleno desacordo com projetos de lei que procuram despenalizar o aborto.
Está em pauta o substitutivo ao Projeto de Lei nº 1135/91, que pretende conceder a toda mulher o “direito” de interromper voluntariamente sua gravidez.
Trata-se de um ataque frontal ao direito básico de todo ser humano: o direito de nascer. Esta violação atinge os demais direitos humanos, provoca o desmoronamento da ordem social e jurídica e abre espaço para inúmeros desmandos morais.
É urgente, fundamentados em sólidos dados científicos, repetir que a vida humana começa com a fecundação, a partir da qual o ser humano possui patrimônio genético e sistema imunológico próprios e se desenvolve de modo coordenado, progressivo e contínuo. A vida humana deve ser respeitada e defendida desde o começo de sua existência até a morte natural.
Não é, portanto, admissível que uma proposta de lei ouse permitir a eliminação de um ser humano inocente e indefeso. Torna-se incoerente o discurso sobre direitos humanos, pois, entra se em contradição ao defender outros direitos, negando o direito primordial de nascer e viver.
Estas verdades referem-se a quantos reconhecemos a dignidade da pessoa humana. Atingem, ainda mais, os que cremos em Deus, que nos cria à sua imagem e semelhança e resguarda a vida humana com o mandamento “não matarás” (Dt 5,17).
Cada criança que nasce, renova a mensagem de amor, alegria e esperança da parte de Deus para a humanidade.
Reafirmamos que não pertence à mãe o direito de interromper livremente a gravidez, uma vez que o nascituro, mesmo portador de doença fetal incurável ou malformação congênita, tem desde o início, sua própria dignidade, identidade diferente dos pais e unidade em seu desenvolvimento gradual e contínuo.
A vida da mãe requer toda defesa, apreço e amparo.
O mesmo tratamento precisa ser assegurado ao filho que ela acolhe em seu seio.
Somos chamados a cooperar, com profunda compreensão e apoio, especialmente, nos casos difíceis e até heróicos que muitas gestantes enfrentam em prol da vida nascente.
A todas as mães devem ser garantidos os serviços de auxílio à saúde, aos quais não podem ser equiparados atos que eliminam a vida do nascituro.
Recordamos que é sempre sagrado o direito à objeção de consciência dos profissionais de saúde que não admitem exercer a sua missão em oposição a seus princípios morais. O mesmo direito vale para as instituições de assistência à saúde.
O Brasil conta com o humanismo, a clarividência e a responsabilidade de nossos parlamentares em favor da vida.
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